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Ave SangriaAve Sangria · 1974
Gravado no Rio de Janeiro em maio de 1974 e lançado em junho pela gravadora Continental com produção de Márcio Antonucci. Um monumento histórico da psicodelia brasileira e regional que uniu guitarras pesadas, poesias e ritmos nordestinos. O álbum foi censurado e recolhido das lojas devido à faixa "Seu Waldir".
- Ano
- 1974
- Gravadora
- Continental
- Faixas
- 12 faixas
Faixas do álbum (12)
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Contexto histórico
A Ave Sangria nasceu no Recife no início dos anos 1970 com outro nome: Tamarineira Village, uma brincadeira que juntava o Greenwich Village nova-iorquino ao bairro da Tamarineira, na zona norte da capital pernambucana. Foi como Tamarineira Village que o grupo circulou em 1973 por cidades do Nordeste, como Salvador, Natal e João Pessoa. Segundo o relato preservado pela imprensa pernambucana, o nome definitivo veio de um encontro com uma cigana no interior da Paraíba, que chamou os músicos de "aves sangrias" — algo entre a força e a poesia.
A banda fazia parte da efervescente cena psicodélica do Recife daquela década, que também revelaria nomes como Lula Côrtes e Zé Ramalho. Contratado pela Continental, o sexteto gravou seu único LP de estúdio às pressas, em cerca de cinco dias, no Rio de Janeiro, com produção de Márcio Antonucci. O disco chegou às lojas em 1974 e logo passou a tocar nas rádios do Recife.
Destaques musicais
- Dois Navegantes — Faixa de abertura, composta pelo baixista Almir de Oliveira.
- Seu Waldir — A canção de Marco Polo que levou ao recolhimento do disco pela censura em 1974.
- Geórgia, a Carniceira — Um dos momentos mais provocativos das letras de Marco Polo.
- Sob o Sol de Satã — Encerramento do álbum, assinado pelo guitarrista Ivson Wanderley.
Evolução sonora
O álbum soa como um encontro entre o rock pesado dos anos 70 e a tradição nordestina. As guitarras de Ivson Wanderley (Ivinho) e Paulo Rafael conduzem boa parte das faixas, ora em riffs elétricos, ora em passagens de violão, enquanto a percussão de Agrício Noya e a bateria de Israel Semente aproximam a banda de ritmos regionais sem abrir mão da energia do rock.
Marco Polo, vocalista e principal letrista, assina a maioria das composições, com letras que vão do lirismo à provocação. O baixista Almir de Oliveira compõe a faixa de abertura, "Dois Navegantes", e Ivinho assina o encerramento, "Sob o Sol de Satã". O resultado é um disco de doze faixas, com cerca de 39 minutos, que transita entre canção, psicodelia e rock progressivo.
Por que este álbum importa
O destino do disco foi selado pela faixa "Seu Waldir". Aprovado de início pela Censura Federal, o LP foi retirado das lojas e das rádios depois que a letra passou a ser atacada e um militar pediu a intervenção da Polícia Federal, sob a alegação de que a música ofendia "a moral e os bons costumes" da sociedade pernambucana. A Continental rompeu o contrato e a banda encerrou as atividades ainda em 1974.
Durante décadas, o álbum sobreviveu como relíquia de colecionador, até ser redescoberto por uma nova geração pela internet. A Ave Sangria voltou à ativa e, em 2019, lançou um álbum de músicas inéditas. Em março de 2026, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos reconheceu a perseguição sofrida pela banda durante a ditadura, com pedido formal de desculpas do Estado e reparação aos integrantes.