Obscure RockMedia Center · 60s & 70s
Capa do álbum Moto Perpétuo do grupo Moto Perpétuo, lançado em 1974
Vinyl LP, AlbumÁlbum Único

Moto PerpétuoMoto Perpétuo · 1974

Gravado nos estúdios Sonima em São Paulo e lançado em novembro de 1974 pela Continental / GEL (catálogo 1-01-404-091), Moto Perpétuo é um dos monumentos mais líricos e singulares do rock progressivo brasileiro. Notável por registrar a estreia discográfica do jovem Guilherme Arantes (autor de 9 das 11 faixas) ao lado de Egídio Conde, Cláudio Lucci, Gerson Tatini e Diógenes Burani, o álbum funde com maestria a complexidade sinfônica de Yes, Genesis e Le Orme com as sofisticadas harmonias da MPB e do Clube da Esquina.

Ano
1974
Gravadora
Continental / GEL
Faixas
11 faixas
Duração
37:45

Faixas do álbum (11)

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Side A

Side B

Destaques musicais

  • Matinal: Uma das composições mais elaboradas do disco, articulando dinâmicas progressivas de piano clássico, teclados sinfônicos e alternâncias rítmicas com grande fluidez.
  • Turba: O monumental épico de encerramento com quase 6 minutos de duração, aproximando-se da grandiosidade do rock progressivo europeu com solos dramáticos e harmonias vocais refinadas.
  • Três e Eu: Composição de Cláudio Lucci enriquecida por violoncelo e texturas acústicas transcendentais, equilibrando a veia progressiva com a poesia do folk brasileiro.
  • Mal o Sol: Faixa de abertura que estabelece o casamento perfeito entre o lirismo da MPB e a energia do rock, revelando desde o primeiro acorde o dom melódico inconfundível de Guilherme Arantes.
  • Sobe: Pérola melódica concisa e marcante, onde teclados cintilantes e contracantos vocais refinados ilustram o primor dos arranjos da banda.

Evolução sonora

O som do Moto Perpétuo ocupa um ponto de convergência raríssimo no panorama cultural brasileiro de 1974: o diálogo entre o rock progressivo sinfônico internacional (evocando Yes, Genesis, ELP e expoentes do Rock Progressivo Italiano como Le Orme e PFM) e a sofisticação harmônica da MPB pós-bossa e do Clube da Esquina. Em vez de decalcar a frieza técnica do prog britânico, o quinteto infundiu calor melódico, violões líricos, violoncelo e vocais empolgantes em suas peças. A virtuosidade pianística de Guilherme Arantes e a veia acústica de Cláudio Lucci criaram uma tapeçaria sonora que funciona como contraponto ensolarado e harmônico à psicodelia pesada de contemporâneos como Módulo 1000 e Casa das Máquinas.

Por que este álbum importa

Lançado em novembro de 1974 pelo selo Continental (catálogo 1-01-404-091) com produção de Moracy do Val e supervisão técnica do emblemático Pena Schmidt, Moto Perpétuo é uma pedra angular do rock brasileiro setentista. Trata-se do primeiro registro discográfico profissional de Guilherme Arantes, que aos 21 anos já compunha 9 das 11 faixas da obra, antecipando seu gênio melódico antes de explodir na carreira solo. O álbum tornou-se um clássico cult disputado no mercado de vinil e uma das mais belas e coesas manifestações de rock progressivo em língua portuguesa.