Obscure RockMedia Center · 60s & 70s
Capa do álbum Nascimento do grupo Perfume Azul do Sol, lançado em 1974
Vinyl LP, AlbumÁlbum Único

NascimentoPerfume Azul do Sol · 1974

Lançado em 1974 pela Chantecler (CMGS 9071), Nascimento é o único e lendário LP do Perfume Azul do Sol, considerado uma das obras mais singulares e místicas de toda a música brasileira dos anos 1970. Nascido da parceria entre Ana Maria Guedes e o pernambucano Benvindo, e com o baixo estelar de Pedro "Pedrão" Baldanza (Som Nosso de Cada Dia), o álbum forjou uma ponte inédita entre o rock psicodélico, a ambição do rock progressivo, a sensibilidade do rock rural e a cadência visceral do baião nordestino.

Ano
1974
Gravadora
Chantecler
Faixas
10 faixas
Duração
30:07

Faixas do álbum (10)

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Side A

Side B

Destaques musicais

  • 20.000 Raios de Sol: Faixa de abertura luminosa e hipnótica que estabelece a atmosfera cósmica e comunitária do grupo, combinando violões cristalinos, guitarra elétrica e harmonias vocais solares.
  • O Abraço do Baião: Pedra fundamental do conceito musical do grupo, fundindo a pulsação tradicional do baião pernambucano à eletrificação do rock psicodélico.
  • Equilíbrio Total: Obra-prima do rock rural psicodélico e progressivo nacional, repleta de energia elétrica, dinamismo rítmico e arranjos sofisticados.
  • Pé de Ingazeira: A composição mais longa e profunda do álbum, onde o lirismo regional nordestino se desdobra em belas texturas progressivas e introspectivas.
  • Deusa Sombria: Momento misterioso e sombrio do disco, evidenciando o piano expressivo de Ana Maria Guedes e contrastes dramáticos de intensidade.

Evolução sonora

Nascimento surge em um momento crucial da evolução da música jovem brasileira: superada a fase seminal da Tropicália do final dos anos 60, o rock nacional de 1974 ramificava-se entre o virtuosismo sinfônico dos Mutantes e Som Nosso de Cada Dia, o peso do Módulo 1000 e a organicidade campestre d'O Terço. O Perfume Azul do Sol ocupou um espaço absolutamente singular ao rechaçar a mera emulação dos modelos anglo-saxões: através das raízes pernambucanas de Benvindo, o baião e o cancioneiro nordestino foram incorporados de maneira estrutural ao lado de guitarras elétricas, piano erudito, baixo sinuoso de Pedrão Baldanza e poéticas cósmicas, antecipando em anos o cruzamento entre rock progressivo e folclore regional.

Por que este álbum importa

Prensado em 1974 pela gravadora Chantecler, o álbum converteu-se em um dos maiores mitos da discografia brasileira devido à sua circulação original quase clandestina — fontes de colecionadores estimam que apenas cerca de 120 exemplares foram distribuídos a amigos e colaboradores próximos, antes de a banda se dispersar. Ao lado de sua iconografia surrealista que confronta a natureza viva e ruínas urbanas decadentes, a obra é reverenciada mundialmente como um marco insubstituível do Brazilian Psych. A presença seminal de Pedro Baldanza no baixo também sela o elo histórico direto entre o Perfume Azul do Sol e a era dourada do Som Nosso de Cada Dia.