
Vinyl EP, Double Compact 7"Álbum Único
Papa PoluiçãoPapa Poluição · 1976
Compacto duplo de estreia do Papa Poluição, lançado em 1976 pela Chantecler. Quatro faixas que misturam hard rock, MPB e cultura nordestina, com letras que citam textos do poeta concreto Décio Pignatari.
- Ano
- 1976
- Gravadora
- Chantecler
- Faixas
- 4 faixas
Faixas do álbum (4)
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Contexto histórico
O Papa Poluição se formou em São Paulo em 1975, reunindo músicos em sua maioria nordestinos: Tiago Araripe, Bill Soares e Xico Carlos vinham do Ceará, e Paulinho da Costa e Luiz Penna, da Bahia. Com três guitarras na formação — Paulinho da Costa, Luiz Penna e Beto Carrera —, além do violão e da percussão de Araripe, o grupo circulava pelo meio universitário paulistano e pelos palcos da cidade.
O compacto duplo saiu em 1976 pela Chantecler, gravadora paulista conhecida pelo catálogo de música regional e sertaneja. No mesmo ano, a banda participou da trilha sonora do longa "Mulher do Cangaço", de Hermano Penna.
Destaques musicais
- Rola Coco — Abertura que traz no título o coco nordestino, de Tiago Araripe e José Luiz Penna.
- Brechando nas Gretas — A única faixa do compacto assinada por Paulinho da Costa, em parceria com Penna.
- Em Nome do Rock — Declaração de princípios de uma banda que queria abrasileirar o rock.
Evolução sonora
Em quatro faixas, o Papa Poluição mostra uma proposta de rock "brasileiríssimo": guitarras de hard rock sobre levadas e referências nordestinas, numa linha que lembra a mistura de MPB e rock dos Novos Baianos, com ironia e humor nas letras. "Rola Coco" já anuncia no título o diálogo com o coco, ritmo tradicional do Nordeste.
As letras trazem citações de textos de Décio Pignatari, um dos criadores da poesia concreta, o que dá ao disco um tom experimental pouco comum no rock da época. A dupla Tiago Araripe e José Luiz Penna assina três das faixas, e "Brechando nas Gretas" é de Paulinho da Costa e Penna.
Por que este álbum importa
O compacto de 1976 é o registro mais conhecido de uma banda que deixou pouca coisa gravada: depois dele vieram apenas dois compactos simples, pela Top Tape (1977) e pela RGE (1978), além da participação na trilha de "Sargento Getúlio" (1983), filme com Lima Duarte premiado no Festival de Gramado. Logo depois o grupo encerrou as atividades.
Os integrantes seguiram caminhos próprios: Tiago Araripe gravou o LP solo "Cabelos de Sansão", pela Lyra Paulistana, e Penna e Paulinho da Costa fizeram discos em dupla, como "O Macaco Avoa", ligado à trilha de "Sargento Getúlio". Hoje o compacto é uma raridade procurada por quem estuda as fusões entre rock e música nordestina nos anos 70.