
7" Single, MonoÁlbum Único
Que Bacana / EsperantoSuely & Os Kanticus · 1968
Único registro fonográfico lançado por Suely & Os Kanticus. Gravado e lançado pela Philips em 1968 após vencer a etapa paulista do I Festival Universitário da TV Tupi, é um documento primordial da psicodelia e do fuzz garageiro brasileiro, destacando a voz de Suely Chagas e a guitarra incendiária de Lanny Gordin.
- Ano
- 1968
- Gravadora
- Philips
- Faixas
- 2 faixas
- Duração
- 05:00
Faixas do álbum (2)
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Side A
Side B
Contexto histórico
No ano crucial de 1968, o circuito dos festivais televisivos funcionava como a principal vitrine e campo de batalha para as novas tendências da música jovem brasileira. Em São Paulo, o grupo Suely & Os Kanticus causou sensação instantânea ao inscrever a incendiária "Que Bacana" no I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Tupi. A faixa venceu a etapa paulista da competição, credenciando a banda a um cobiçado contrato com a gravadora Philips para a prensagem de um compacto simples de 7 polegadas (catálogo 365.258 PB).
O grupo possuía conexões genealógicas de primeira linha com o epicentro da contracultura paulistana: a vocalista Suely Chagas havia feito parte do embrião d'Os Mutantes (o conjunto vocal O'6, ao lado de Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias). Para defender a composição no festival e gravá-la em estúdio, Suely reuniu o compositor e baixista Richard Carasso, o guitarrista Rafael Vilardi e um jovem guitarrista de técnica avassaladora que logo se tornaria a maior lenda das seis cordas do rock brasileiro: Lanny Gordin.
Destaques musicais
- Que Bacana — Vencedora do I Festival Universitário de SP, hino absoluto do garage rock nacional conduzido pelo fuzz abrasivo e agressivo de Lanny Gordin.
- Esperanto — Lado B experimental repleto de colagens, psicodelia tropicalista e arranjos de guitarra desconcertantes.
Evolução sonora
A importância sônica de "Que Bacana / Esperanto" reside no pioneirismo radical da guitarra elétrica. Em uma época em que o pop jovem ainda gravitava em torno dos timbres limpos da Jovem Guarda, "Que Bacana" irrompe com uma parede áspera e saturada de fuzz, microfonia e ataque rítmico demolidor executados por Lanny Gordin — prenunciando com exatidão a assinatura que ele consagraria nos clássicos álbuns de Gal Costa ("Gal Costa", 1969 e "Gal", 1969) e no Brazilian Octopus.
O Lado B, "Esperanto", complementa o registro através de uma abordagem experimental e desconcertante: a guitarra nervosa entrelaça-se a dissonâncias, efeitos sonoros e colagens cênicas de vanguarda que antecipam as ousadias conceituais da Tropicália. Ambas as faixas são assinadas por Richard Carasso, articulando um garage punk genuinamente brasileiro e altamente inventivo.
Por que este álbum importa
Na cronologia do rock e da psicodelia brasileira, o compacto de Suely & Os Kanticus situa-se exatamente na faísca inaugural da explosão psicodélica: Os Canibais (1967) → Os Baobás (1968) → Suely & Os Kanticus (1968) → Os Mutantes (1968) → O Bando (1969) → Os Brazões (1969) → Brazilian Octopus (1969) → Liverpool (1969) → Loyce & Os Gnomos (1969).
Como a banda encerrou suas atividades logo após o festival e este foi seu único lançamento comercial, o compacto de 7 polegadas da Philips converteu-se em uma lendária raridade de colecionador. É amplamente reverenciado por pesquisadores da música psicodélica mundial como um dos capítulos mais fascinantes dos chamados "Brazilian Nuggets", registrando o momento exato em que a fúria da guitarra fuzz invadiu a MPB universitária.