
Vinyl LP, AlbumÁlbum Único
The GalaxiesThe Galaxies · 1968
Único álbum da banda paulistana The Galaxies. Lançado em 1968 pelo selo Som Maior, é um dos documentos inaugurais e mais raros da psicodelia brasileira, combinando a energia crua do garage rock, guitarras fuzz distorcidas e versões inspiradas de Love e Donovan.
- Ano
- 1968
- Gravadora
- Som Maior
- Faixas
- 12 faixas
- Duração
- 35:37
Faixas do álbum (12)
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Side A
Side B
Contexto histórico
Em 1968, ano seminal para a cultura jovem e para as transformações estéticas em escala global, a cena do rock de garagem em São Paulo vivia uma revolução subterrânea. Enquanto a Jovem Guarda dominava os programas de televisão e o Tropicalismo despontava com Os Mutantes e Gilberto Gil, um circuito vibrante de garagens e pequenos clubes paulistanos — habitado por grupos como The Beatniks, Os Baobás e The Galaxies — articulava a introdução do rock psicodélico anglo-americano no Brasil.
O The Galaxies distinguia-se por uma singular formação multinacional: liderado pelo guitarrista e cantor britânico David Charles Odams e pela vocalista e percussionista norte-americana Jocelyn Anne Odams (Jo), completava-se com os instrumentistas brasileiros Alcindo Maciel (All) e José Carlos de Aquino (Zeca), contando ainda com a participação informal nas gravações do guitarrista Carlos Eduardo "Tuca" Aun (dos Baobás). Essa confluência permitiu à banda registrar um LP inteiramente cantado em inglês, sem compromisso com as convenções da música comercial da época, lançado pelo selo independente paulista Som Maior sob o catálogo SMLP 1551.
Destaques musicais
- Hey!!! — Abertura explosiva impulsionada por guitarra com fuzz saturado, vocais rascantes e urgência pura do garage rock.
- Orange Skies — Delicada e hipnótica recriação do clássico de Bryan MacLean (Love), revelando o lado mais etéreo e psicodélico da banda.
- I'm Not Talking — Versão frenética do rhythm and blues tornado célebre pelos Yardbirds, destacando a pegada enérgica da bateria de Zeca.
- Linda Lee — Composição original marcante de David Odams e Tuca Aun (Os Baobás), símbolo da identidade autoral do grupo na cena paulistana.
- Mellow Yellow — Releitura sofisticada e pop psicodélica da clássica canção de Donovan, com vocais envolventes e arranjo de maracas.
- Que Vida — Outro tributo reverente ao repertório do Love (Arthur Lee), com cadência beat pop e harmonias vocais cativantes.
Evolução sonora
O som de "The Galaxies" situa-se precisamente no ponto de inflexão entre o beat rock dançante de meados da década de 1960 e a incipiente psicodelia de garagem. A abertura feroz com "Hey!!!" apresenta de imediato o timbre ríspido e cortante da guitarra com fuzz de David Odams, dialogando diretamente com o som dos Yardbirds e do garage punk norte-americano.
Ao mesmo tempo, o quarteto demonstrava apurada sensibilidade para as sutilezas do psychedelic pop e do folk psicodélico californiano: faixas como "Orange Skies" e "Que Vida" homenageiam com elegância e fidelidade o grupo Love (Arthur Lee e Bryan MacLean), "Mellow Yellow" recria com frescor o lirismo psicodélico de Donovan, enquanto a faixa autoral "Linda Lee" (parceria de Odams com Tuca Aun) evidencia a capacidade do grupo de criar melodias próprias memoráveis, sustentadas pela cozinha enérgica e precisa de Alcindo Maciel e Zeca de Aquino.
Por que este álbum importa
Na arqueologia do rock brasileiro, o álbum do The Galaxies é um marco pioneiro insubstituível. Ele documenta o momento germinal da primeira onda psicodélica no país, integrando a linhagem evolutiva: The Galaxies (1968) → Os Mutantes (1968) → O Bando (1969) → Spectrum / Geração Bendita (1971) → Módulo 1000 (1972).
A tiragem original do LP foi extremamente reduzida — estimada por especialistas e historiadores em cerca de 500 cópias ou menos —, transformando o vinil da Som Maior em um dos itens mais valiosos, míticos e procurados do colecionismo discográfico brasileiro e internacional. O encerramento definitivo das atividades da banda logo após o lançamento, em decorrência da partida de David e Jocelyn Odams do Brasil, eternizou "The Galaxies" como um autêntico one-album wonder da aurora do rock psicodélico paulista.