Obscure RockMedia Center · 60s & 70s
Capa do álbum Brazilian Octopus do grupo Brazilian Octopus, lançado em 1969
Vinyl LP, AlbumÁlbum Único

Brazilian OctopusBrazilian Octopus · 1969

Único álbum do supergrupo instrumental Brazilian Octopus. Lançado em 1969 pela Fermata, reúne Hermeto Pascoal, Lanny Gordin e Olmir Stocker em uma sofisticada confluência de samba-jazz, bossa nova e experimentação psicodélica sob a órbita estética do movimento tropicalista.

Ano
1969
Gravadora
Fermata
Faixas
12 faixas
Duração
29:09

Faixas do álbum (12)

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Side A

Side B

Contexto histórico

No efervescente ano de 1968, o diálogo entre música moderna, artes plásticas e moda atingiu seu ápice com os espetáculos vanguardistas produzidos pela companhia têxtil Rhodia em São Paulo. Sob direção teatral de Ademar Guerra e orquestração do maestro Rogério Duprat, reuniu-se um conjunto estelar de músicos de elite que recebeu infraestrutura, tempo de estúdio e liberdade irrestrita para elaborar uma linguagem instrumental inédita. O projeto materializou-se no lançamento do autointitulado e único LP "Brazilian Octopus" em 1969 pelo selo Fermata (FB 257). A escalação reunia nomes seminais da música universal: o bruxo alagoano Hermeto Pascoal na flauta, o revolucionário guitarrista Lanny Gordin, o virtuoso Olmir Stocker "Alemão" nos violões e guitarra, Cido Bianchi nos teclados, Nilson da Matta no contrabaixo acústico, Douglas de Oliveira na bateria, João Carlos Pegoraro no vibrafone e Carlos Alberto Alcântara no sax e flauta. O álbum capturou uma das manifestações mais ricas e singulares da psicodelia brasileira: não a partir da fúria do rock de garagem, mas através de texturas timbrísticas camerísticas, harmonias polifônicas do samba-jazz e da inventividade melódica.

Destaques musicais

  • Gamboa — Abertura arrebatadora estruturada sobre o vibrafone cintilante de Pegoraro, flautas envolventes e dinâmica sincopada de samba-jazz.
  • Rhodosando — Composição de Hermeto Pascoal que expressa sua inventividade harmônica e rítmica livre e vanguardista.
  • Momento B/8 — Marco experimental composto com o maestro Rogério Duprat, compartilhado no mesmo ano com o álbum d'Os Brazões.
  • Chayê — Incursão hipnótica e sinuosa de Hermeto Pascoal que explora timbres etéreos e atmosferas camerísticas psicodélicas.
  • O Pássaro — Composição de Alexander Gordin (pai de Lanny Gordin), destacando o refinado e lírico trabalho de guitarra e sopros.
  • Casa Forte — Fechamento brilhante com a clássica peça de Edu Lobo, reinventada em roupagem instrumental ágil, polifônica e moderna.

Evolução sonora

A tessitura instrumental de "Brazilian Octopus" é um primor de ecletismo e modernismo. O vibrafone de João Carlos Pegoraro e o órgão de Cido Bianchi criam uma névoa etérea e misteriosa sobre a qual a guitarra elétrica de Lanny Gordin tece contrapontos ácidos e imprevisíveis, enquanto os sopros cruzados de Hermeto Pascoal e Carlos Alberto Alcântara imprimem um lirismo jazzístico sofisticado. A abertura com "Gamboa" ilustra o suingue sincopado do samba-jazz paulistano; "Rhodosando" e "Chayê" revelam a genialidade precoce de Hermeto Pascoal em composições repletas de atonalismos e modulações livres; a clássica "Pavane" de Gabriel Fauré é transmutada em uma elegante valsa psicodélica; "Momento B/8" (composta com o maestro Rogério Duprat) conecta-se diretamente à Tropicália e dialoga com a gravação simultânea realizada pelo grupo Os Brazões; "O Pássaro", de Alexander Gordin (pai de Lanny), destaca o fraseado lírico da guitarra; e o encerramento com a clássica "Casa Forte" de Edu Lobo consagra a modernização instrumental das raízes afro-brasileiras.

Por que este álbum importa

Na historiografia da música experimental brasileira, o álbum do Brazilian Octopus é um documento único que transcende fronteiras entre MPB, jazz, Tropicália e psicodelia. Ele expande a compreensão da cena nacional de 1968-1969, demonstrando que a revolução estética operava simultaneamente em múltiplos eixos: The Galaxies (garage rock), Os Mutantes (rock experimental), Liverpool (psicodelia gaúcha), Os Brazões (samba-soul psicodélico) e Brazilian Octopus (jazz psicodélico instrumental). A prensagem original em vinil pela Fermata tornou-se uma raridade absoluta, cultuada por pesquisadores e colecionadores em âmbito internacional. A mística do LP é amplificada pela curiosidade histórica de que Hermeto Pascoal — por conflito de agenda — foi substituído na fotografia da capa por um figurante da agência de publicidade. Reeditado em vinil de 180g pela Polysom, "Brazilian Octopus" permanece como o ápice da sofisticação e da audácia instrumental do final dos anos 1960.