
Cassette Demo, Archival RecordingÁlbum Único
EsquizophreniaRock da Mortalha · 1974
Fita de ensaio de 1974, gravada ao vivo com dois microfones e um tape deck: um dos raros registros sonoros do Rock da Mortalha, o "Black Sabbath brasileiro" que nunca lançou um LP. Seis faixas de hard rock pesado e sombrio, cantadas em português.
- Ano
- 1974
- Gravadora
- Independente / Demo K7
- Faixas
- 8 faixas
Faixas do álbum (8)
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Contexto histórico
O Rock da Mortalha nasceu em 1968 no Ipiranga, em São Paulo, da amizade entre o baixista e vocalista Orlando Lui e o guitarrista Marcos Baccas. A dupla passou pelos nomes Os Bizimbetas e Missa Negra e por vários conjuntos de baile até que, em setembro de 1972, uma hepatite deixou Orlando recluso por cerca de três meses. Marcos o visitava todos os dias, e dali saiu um repertório próprio de hard rock em português. No verão de 1973, inspirado em gibis de terror e no universo místico, Orlando batizou o grupo de Rock da Mortalha.
Com a entrada do baterista Julinho, a banda virou um power trio, acompanhado nos palcos pelo dançarino Lola. Esta fita foi gravada num ensaio em 1974 — algumas fontes indicam 1975 —, ao vivo, com apenas dois microfones e um tape deck Gradiente. O som é precário, mas é praticamente tudo o que restou da banda nos anos 70.
Destaques musicais
- Exquisofrenex — Abertura da fita, com mais de cinco minutos de riffs pesados.
- O Que Aconteceu — Mais de sete minutos de hard rock sombrio, uma das faixas mais longas do registro.
- Satânico Estripador — A faixa que melhor resume o imaginário de terror da banda.
- Agonia e Dor — Quase dez minutos de peso e climas arrastados, fechando o ensaio de 1974.
Evolução sonora
Mesmo com a gravação limitada, dá para entender por que o Rock da Mortalha ficou conhecido como o "Black Sabbath brasileiro": riffs pesados e arrastados, afinações de guitarra mais baixas — algo incomum no Brasil da época, segundo Regis Tadeu — e um clima sombrio sustentado pelo baixo e pela voz de Orlando Lui. As letras em português falam da luta entre o bem e o mal, de reencarnação, de conhecimento transcendental e de magia.
As faixas são longas e cheias de passagens instrumentais, como "O Que Aconteceu", com mais de sete minutos, e "Agonia e Dor", com quase dez. "Dr. Fausto" e "Salve-se Quem Puder", que fecham esta versão, não fazem parte da fita de 1974: foram gravadas pela banda bem depois, nos anos 90.
Por que este álbum importa
O Rock da Mortalha nunca lançou um LP — "era uma banda que nunca conseguiu gravar, eles só faziam shows", lembrou o crítico Regis Tadeu, que conheceu o grupo quando ele abriu um show do Made in Brazil. A fama veio do palco: vestes negras, capas de morcego, tarjas, botas de soldado e efeitos de luz e sombra. Em janeiro de 1975, a banda encerrou uma das noites do I Festival de Águas Claras, em Iacanga (SP), e fãs argentinos gravaram o show em fita, ajudando a espalhar o apelido de "Black Sabbath tupiniquim".
Por isso esta fita de ensaio tem valor de documento: ela registra uma das primeiras bandas de rock pesado e temática macabra do país, anos antes de o heavy metal brasileiro se organizar como cena. A gravação circulou entre colecionadores e foi remasterizada em 2023 por Amyr Cantusio Jr., do grupo Spectro, que dividiu o palco com o Rock da Mortalha três vezes em Campinas entre 1974 e 1975.