Sobre a banda
O Rock da Mortalha nasceu em 1968 no bairro do Ipiranga, em São Paulo, da amizade entre Orlando Lui, o Landinho (baixo e vocal), e Marcos Baccas (guitarra e vocal). O primeiro nome foi Os Bizimbetas; em 1969, o grupo virou Missa Negra. Em paralelo, a dupla tocou em conjuntos de baile como Os Jades, Apollo 5, Os Beatmans, Slaves Of Drug, Os Belsons, Os Flippers e Os Sifu's. Em setembro de 1972, Orlando contraiu hepatite e ficou recluso por cerca de três meses; Marcos o visitava diariamente, e os dois começaram a compor um repertório próprio de hard rock em português. No verão de 1973, inspirado em gibis de terror e no universo místico, Orlando sugeriu o nome Rock da Mortalha.
Com o baterista Julinho, a banda se firmou como power trio, acompanhada no palco pelo dançarino Lola. Os shows eram teatrais, com vestes negras, capas de morcego, tarjas, botas de soldado e efeitos de luz e sombra; as letras falavam da luta entre o bem e o mal, de reencarnação e de magia. Em janeiro de 1975, o grupo encerrou uma das noites do I Festival de Águas Claras, em Iacanga (SP), e fãs argentinos gravaram o show em fita, o que ajudou a espalhar o apelido de "Black Sabbath tupiniquim". A banda também tocou várias vezes no eixo São Paulo–Campinas, onde dividiu o palco com o Spectro, e abriu um show do Made in Brazil.
O Rock da Mortalha nunca lançou um LP. Restaram uma fita de ensaio de 1974 e, bem depois, gravações de "Doutor Fausto" e "Salve-se Quem Puder", lançadas num compacto em Portugal com tiragem de 250 cópias. A banda deixou de se apresentar com esse nome no fim dos anos 70 — a última formação, de 1979, tinha Marco Carvalhanas na bateria —, mas Orlando Lui seguiu tocando até o fim: o último show do grupo foi em setembro de 2003, no Paulicea, em São Paulo. Orlando morreu em 23 de dezembro de 2003.