Obscure RockMedia Center · 60s & 70s
Capa do álbum Zior do grupo Zior, lançado em 1971
Vinyl LP, Album

ZiorZior · 1971

Álbum homônimo de estreia do quarteto britânico Zior. Lançado em 1971 pela Nepentha com capa histórica de Keef McMillan, é uma obra seminal do proto-metal e occult rock teatral, alimentada pelo potente órgão Hammond de Keith Bonsor e riffs pesadíssimos de guitarra.

Ano
1971
Gravadora
Nepentha
Faixas
10 faixas
Duração
32:54

Faixas do álbum (10)

Toque numa faixa para ouvir no player.

Side A

Faixas

Side B

Contexto histórico

No alvorecer da década de 1970, o cenário britânico pós-psicodélico desdobrava-se em experimentações cada vez mais pesadas, obscuras e soturnas, impulsionadas pelo impacto tectônico da estreia do Black Sabbath e pela consolidação do hard rock do Deep Purple e Atomic Rooster. Em Southend-on-Sea (Essex), o tecladista Keith Bonsor e o baterista Peter Brewer transformaram suas origens no R&B britânico em um som denso e visceral, convocando o guitarrista John Truba e o baixista Barry Skeels para formalizar o Zior. A banda assinou com o selo cultuado Nepentha (subsidiário da Philips) e gravou seu álbum de estreia homônimo em 1971. Além de sua potência elétrica em estúdio, o quarteto conquistou notoriedade no circuito underground londrino por adotar uma estética performática teatral abertamente associada a temas de magia negra, rituais e horror gótico. Essa aura ocultista foi perfeitamente cristalizada na capa do LP, concebida e fotografada por Keith "Keef" McMillan — o lendário artista visual responsável pela clássica capa do primeiro álbum do Black Sabbath.

Destaques musicais

  • I Really Do — Abertura pesada e sombria fundamentada no duelo estrondoso entre o órgão Hammond de Keith Bonsor e a guitarra distorcida de John Truba.
  • Za Za Za Za Zilda — Single escolhido pela Nepentha, trazendo uma pulsante levada de hard blues cadenciado e refrão magnético.
  • Love's Desire — Incursão hipnótica que equilibra passagens de psicodelia sombria com explosões agressivas de hard rock.
  • New Land — Um dos momentos mais dinâmicos e progressivos do disco, revelando a sensibilidade melódica e o trabalho vocal do quarteto.
  • Your Life Will Burn — Ponto alto do proto-metal setentista com atmosfera soturna e clima opressivo no limiar do occult rock.
  • I Was Fooling — Hard blues elétrico conduzido com destreza rítmica por Peter Brewer e Barry Skeels, fechando o núcleo do LP original.

Evolução sonora

A espinha dorsal de "Zior" apoia-se no massivo órgão Hammond de Keith Bonsor e na guitarra distorcida e cortante de John Truba, amparados por uma seção rítmica potente e sincopada. A sonoridade do disco equilibra o peso e a crueza do nascente proto-metal com a pulsação do blues rock elétrico e a dinâmica arquitetônica do rock progressivo da época. Faixas como "I Really Do" e "Your Life Will Burn" mostram o lado mais pesado e opressivo da banda, com andamentos arrastados e riffs monolíticos que antecipavam o doom metal e o occult rock setentista. Por outro lado, o single "Za Za Za Za Zilda" e "Give Me Love" revelam o suingue direto do hard blues, enquanto peças como "Love's Desire" e "New Land" introduzem atmosferas hipnóticas, mudanças de compasso e climas psicodélicos refinados pela expressividade vocal de Bonsor.

Por que este álbum importa

Na cronologia essencial do rock pesado britânico — ao lado de pioneiros como Black Sabbath (1970), Jodo (1971) e Bodkin (1972) —, o Zior representa um dos primeiros e mais autênticos elos entre o heavy psych e a teatralidade do occult rock europeu. Seu legado fonográfico é ainda enriquecido pelo curioso episódio em que a mesma formação gravou no mesmo ano o cultuado álbum "The First Monument" sob o pseudônimo Monument (Beacon Records), além das sessões que gerariam o posterior "Every Inch a Man" (1973). A prensagem original britânica em vinil pela Nepentha (catálogo 6437005) tornou-se um dos artefatos mais raros, mitológicos e disputados do mercado internacional de colecionadores. "Zior" permanece como um testemunho irrefutável da efervescência underground britânica de 1971, combinando virtuosismo instrumental, peso bruto e um senso teatral transgressor que influenciou gerações de bandas devotadas ao lado mais sombrio do hard rock.