Obscure RockMedia Center · 60s & 70s
Imagem promocional e capa da banda Loyce & Os Gnomos (1968)

Loyce & Os Gnomos

Mítico e obscuro grupo paulista de Limeira que registrou em 1969 pelo selo Do Ré Mi um dos compactos duplos mais furiosos, barulhentos e distorcidos da psicodelia brasileira. Destacou-se pelo uso selvagem de guitarras fuzz, microfonias e letras inspiradas no clássico livro esotérico "O Despertar dos Mágicos".

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Sobre a banda

Loyce & Os Gnomos emergiram em Limeira, no interior de São Paulo, no final dos anos 1960, envoltos em uma das auras mais misteriosas e fascinantes da história do rock independente brasileiro. Composto por Loyce (vocal principal), Fael / Raphael (guitarra elétrica), Massaro (baixo e vocais), Nilo (bateria) e Padulla (órgão), o conjunto produziu um som que destoava frontalmente tanto da ingenuidade tardia da Jovem Guarda quanto do requinte orquestral da Tropicália: um rock de garagem primitivo, carregado de saturação de fuzz, microfonia estridente e urgência rítmica. Em 1969, o quinteto entrou em estúdio para registrar seu único lançamento fonográfico: o compacto duplo de 7 polegadas "O Despertar dos Mágicos", lançado pelo pequeníssimo selo paulista Do Ré Mi e distribuído de forma atípica em uma capa de 10 polegadas. O título da obra prestava tributo explícito ao best-seller internacional "Le Matin des Magiciens" (de Louis Pauwels e Jacques Bergier), livro-chave da contracultura mundial devotado ao realismo fantástico, sociedades secretas, paranormalidade e alquimia. Musicalmente, o EP antecipou tendências mundiais do proto-punk e do heavy psych: faixas como a inicial "Era Uma Nota de 50 Cruzeiros" e a avassaladora "Que É Isso?" apresentavam uma parede ruidosa de guitarras distorcidas raramente ouvida no Brasil da época, equilibradas pela delicadeza enigmática de "José João ou João José" e "A Jardelina Querida ou Coletivo". Após a prensagem microscópica do disco, a banda encerrou suas atividades e seus integrantes desapareceram quase sem deixar vestígios na historiografia musical. Décadas depois, a inclusão de faixas na cultuada coletânea internacional "Brazilian Guitar Fuzz Bananas" e no livro "Lindo Sonho Delirante" de Bento Araújo resgatou a banda do esquecimento, gerando uma cobiçada reedição em vinil pela Valeverde Records e consagrando "O Despertar dos Mágicos" como um dos santos graais supremos do underground psicodélico brasileiro.

Discografia cronológica (1)

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Para ouvir junto

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